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Mintzberg | Modelo de Belbin | Modelo de De Vries | Modelo de Quinn

Mintzberg


Texto no SIDE
O autor entende a Gestão/Liderança de uma organização como uma práxis que combina arte, habilidade e a ciência. Neste pequeno excerto, o autor propõe uma reflexão sobre a forma como se estrutura o topo de uma empresa e os problemas que poderão surgir se estas três dimensões estiverem "desequilibradas". A partir daí, enceta uma viagem pelo mundo do ensino e Pitcher, uma sua seguidora, faz a aplicação ao mundo empresarial.

Questão:
Estará o autor muito distante das reflexões de outros autores já abordados na aula?
Mintzberg, H. (2005). Gestores, Não MBAS - um olhar critico sobre a gestão e o desenvolvimento da gestão. Publicações Dom Quixote.


Ver também as tipologias organizacionais de Mintzberg acerca dos modos de coordenação: configurações organizacionais de Mintzberg.pdf


Modelo de Belbin



Composição de equipas - modelo de nove papeis. Ver pdf neste link

Modelo de De Vries



De Vries, M.F.R.K - «The eight roles executives play», in Organizational Dynamics, Vol. 36, nº 1, pp 28-44, 2007

Síntese do texto “Os oito papeis que os executivos desempenham”, de M.F.R.K. De Vries
O autor apresenta oito papeis que os executivos desempenham, que diz ter descoberto a partir da observação continuada de um grande número de líderes.

Estrategas

São bons a lidar com as mudanças no ambiente externo das organizações. Proporcionam visão, direcção estratégica e ideias para criar formas novas de organização e gerar crescimento futuro. Características::

  • Pensamento abstracto e imaginativo
  • Orientação para o longo prazo
  • Ver o esquema geral e planear de acordo com ele
  • Conceptualizar e apresentar todas as opções
  • Simplificar situações complexas
  • Pensar globalmente (holísticamente)
  • Pensar lateralmente: geração de novas ideias
  • Abordar coisas novas e resolver problemas difíceis
  • Pensar de forma não-convencional
  • Responder rapidamente à mudança
  • Alinhar visão com estratégia
Bons para períodos turbulentos, quando as mudanças no ambiente externo requerem novas direcções.

Catalisadores de mudança

Gostam de situações confusas. São os mestres da re-engenharia e criação de esquemas organizacionais. Características::

  • Reconhecer de oportunidades de transformação organizacional
  • Identificar e convencer da necessidade de mudança
  • Assumir tarefas arriscadas e com independência
  • Traduzir conceitos abstractos em acções práticas
  • Procurar tarefas novas e desafiadoras
  • Sentido de urgência
  • Tomar decisões difíceis, determinação
  • Implementar acções
  • Estabelecer padrões de desempenho e controlar o desempenho
  • Alinhar visão, estratégia *e* comportamento
  • Seleccionar talentos para alcançar eficácia
Bons em situações de integração de culturas após uma fusão ou aquisição, ou quando está em causa liderar um processo de reengenharia ou de recuperação de empresa.

Negociadores

Bons negociadores de contratos. Bons a identificar e aceitar novas oportunidades obtêm sucesso na negociações. Características::

  • Preferem novidade, aventura e exploração
  • Obtêm sucesso em novos desafios
  • Desinteresse pela gestão do dia-a-dia
  • Vender/negociar
  • Abertura à mudança
  • Entusiasmo/dinamismo
  • Proactividade
  • Orientação para o curto prazo
  • Adaptabilidade
  • ‘Networking’ (interacção em rede) para atingir objectivos
  • Tolerância ao risco
  • Orientação para a acumulação de riqueza
  • Leitura/interpretação de pessoas
Bons para a negociação de aquisições ou outros contratos.

Construtores

Sonham com a criação de algo e têm o talento e determinação para tornar o sonho realidade. Características::
  • Necessidade de independência e de ter controlo
  • Energia, condução, dinamismo e espírito empreendedor
  • Orientação para uma só coisa, focalização, decididos
  • Perseverança, lidar com insucesso
  • Lidar com situações inseguras ou ambíguas
  • Trabalho sob pressão
  • Orientação para o longo prazo
  • Orientação para o sucesso
  • Propensão para o risco calculado
  • Adaptabilidade e criatividade
  • Motivação para criar algo
  • Obtenção de recursos
  • Competências sociais moderadas
  • Dificuldade em lidar com a autoridade
Bons para projectos radicais ou empreendimentos dentro ou fora da organização.

Inovadores

Focalizados no novo. Resolução de problemas muito difíceis. Características:
  • Motivação para concretizar as suas ideias
  • Criatividade e imaginação
  • Busca de possibilidades: novos projectos, actividades e procedimentos
  • Gosto pelo trabalho isolado
  • Prazer em resolver problemas difíceis
  • Desenvolver objectivos para responder a necessidades
  • Perseverança e focalização
  • Orientação para o longo prazo
  • Ingenuidade acerca das políticas organizacionais
  • Comunicação não eficaz
  • Ganhos financeiros secundários
  • Excentricidade
Bons para geração de ideias numa organização

Processadores

Gostam de organizações que funcionam suavemente, ‘máquinas bem oleadas’. Efectivos a estabelecer as estruturas e sistemas necessários para suportar os objectivos da organização. Características:
  • Perspectiva sistémica
  • Traduzir conceitos abstractos em acções práticas
  • Implementação de acções baseadas em processos
  • Criação de estruturas/processos/fronteiras
  • Desconforto com situações não estruturadas
  • Adesão a regras e procedimentos
  • Empenhamento na organização
  • Lealdade e cooperação
  • Auto-disciplina, confiabilidade, eficiência e responsabilidade
  • Sangue frio perante situações de ‘stress’
  • Atitude positiva perante a autoridade
  • Gestão do tempo
Bons a colocar ordem na desordem.

Treinadores (Coach)

Criam equipas de alto desempenho e cultura. Características:
  • Empatia, inteligência emocional
  • Capacidade de escuta
  • Inspiram confiança
  • Afinidade com pessoas, cooperantes
  • Lidar com situações difíceis ao nível interpessoal e grupal
  • Criação de culturas e equipas de alto desempenho
  • Desenvolvimento de pessoas, ‘feedback’ construtivo
  • Orientação de carreiras
  • Motivadores
  • Comunicadores
  • Perspectiva positiva
  • Delegação
  • Preferência pela gestão participativa
Bons em projectos de mudança cultural. Eficácia no trabalho em rede, organizações baseadas no conhecimento

Comunicadores

Influenciadores. Características:
  • Comunicadores da visão geral e de temas gerais
  • Uso de linguagem e metáforas simples
  • Não orientados para o detalhe
  • Boa presença, atrair a atenção dos outros
  • Competências teatrais, criação de crenças
  • Reequacionamento de situações difíceis
  • Capacidade de influenciar
  • Trabalho em rede, estabelecimento de alianças
  • Gestão das partes interessadas (stakeholders)
  • Fazer ver aos outros o seu ponto de vista
  • Uso de peritos
  • Não inclinados a pedir ajuda externa e consultadoria
Bons a influenciar as partes da organização para lidar com situações de crise.


COMO UTILIZAR?
A tipologia de De Vries, como também a de Quinn, deve servir para nos ajudar a identificar pontos mais fortes e pontos mais fracos da nossa acção (ou dos nossos colegas, ou chefes, ou subordinados).
E depois de identificarmos os pontos fortes e fracos? Podemos tentar:
  • tirar mais partido dos pontos fortes,
  • melhorar o nosso comportamento nos pontos fracos,
  • usar os pontos fortes para colmatar os pontos fracos de colegas e
  • encontrar pessoas que nos ajudem nos pontos fracos.
As tipologias servem sobretudo como base para a auto-análise e hetero-análise, visto que é na interacção e negociação com os outros que melhor podemos resolver os problemas de liderança.
Funcionam como listas de itens a verificar/debater e podem usar-se conforme pareça mais apropriado para a situação.

Modelo de Quinn



Exemplo de questionário para diagnóstico de competências segundo o modelo de Quinn: teste quinn-lopes-pf protegido.xltx

Tabela dos 4 modelos de gestão (página 12):

Modelo de gestão >>>
Objectivo racional
Processo interno
Relações humanas
Sistemas abertos





Critérios de eficácia
Produtividade, benefícios
Estabilidade, continuidade
Compromisso, união moral
Capacidade de adaptação, apoio externo





Teoria meios-fins
Uma direcção clara leva a resultados produtivos
A rotina leva à estabilidade
A participação gera compromisso
A adaptação e inovação permanente levam à aquisição e manutenção dos recursos externos





Ênfase
Classificação de metas, análise racional e acção
Definição das responsabilidades, medidas, documentação
Participação, resolução de conflitos e criação de consenso
Adaptação política, resolução criativa de problemas, gestão da mudança e inovação





Clima
Economia racional “resultados”
Hierárquico
Orientado para a equipa
Inovador, flexível





Papel do dirigente
Director e produtor
Monitor e coordenador
Mentor e facilitador
Inovador e ‘bloker’

Modelos de gestão em dois eixos (página 14):
valores_modelos_de_gestão.jpg
Papeis de liderança relacionados com os modelos de gestão (página 18):
papeis_de_liderança.jpg

Tabela das 8 papeis de liderança e respectivas competências (página 24):

Director
1. Tomada de iniciativas
2. Fixação de metas
3. Delegação eficaz
Produtor
4. Produtividade e motivação pessoal
5. Motivar os outros
6. Gestão do tempo e do ‘stress’
Coordenador
7. Planificação
8. Organização e desenho
9. Controlo
Monitor
10. Reduzir sobrecarga de informação
11. Analisar a informação criticamente
12. Apresentar informação; redigir eficazmente
Mentor
13. Auto compreensão e compreensão dos outros
14. Comunicação interpessoal
15. Desenvolvimento dos subordinados
Facilitador
16. Criação de equipas
17. Tomada de decisão participativa
18. Gestão de conflitos
Inovador
19. Conviver com a mudança
20. Pensamento criativo
21. Gestão da mudança
‘Broker’
22. Criar e manter uma base de poder
23. Negociar acordos e compromissos
24. Apresentar ideias: verbalmente com eficácia


EXEMPLO DE UTILIZAÇÃO

Seguindo os exemplos do último capítulo (cap. 10) do livro, o seguinte perfil representa a atribuição de competências que um dos docentes da turma atribui a si mesmo.
Perfil_X.jpg
Qual dirias que é o docente em causa? Concordarias com esse perfil para esse docente?

No mesmo capítulo definem-se 8 exemplos típicos de perfis:
Ineficazes: amibas caóticas, coordenadores abrasivos, viciados no trabalho e não produtivos.
Eficazes: triunfadores agressivos, produtores conceptuais, criadores pacíficos de equipas e maestros

a) de qual daqueles exemplos achas mais próximo o perfil X?
b) consegues descobrir um erro nas figuras do livro?

Fonte:
Robert E. Quinn, et al., “Maestria en la gestion de organizaciones – um modelo operativo de competências”, Ed. Diaz de Santos, SA, 1995 [1990]